Obsessão Espiritual

Capítulo XIII

A Obsessão

 

Iremos abordar agora o infeliz tema da obsessão, que muito sofrimento causa a milhares de pessoas e médiuns despertos por esse mundo fora.

É um assunto para algumas pessoas difícil de encarar e do qual muitas se desviam.

Muitos autores espirituais procuram evitá-lo, escondendo uma parte importante da verdade sobre os fenómenos espirituais. E também sobre muitas perturbações mentais.

 

O resultado disso é uma imensidão de sofrimento que poderia ser evitado. Existe um número crescente de Espíritos desencarnados que por má ou ausente educação espiritual salutar andam errantes à procura de ajuda e por vezes tardam em alcançá-la, pois cada vez menos pessoas se dedicam a ajudar esses irmãos espirituais, filhos do mesmo Deus e também eles com direito à paz e felicidade.

Há mesmo centros de espiritualidade que deixaram de fazer doutrinação espiritual a esses Espíritos, o que constitui lamentável erro, a não ser que isso seja o resultado da ausência de médiuns capazes.

 

É sem dúvida o perigo da obsessão uma das razões para que tantos conhecimentos espirituais tenham permanecido secretos até quase aos nossos dias. A divulgação pública de exercícios espirituais como algumas formas de meditação, rituais, práticas de yoga como o despertar da energia kundalini que pode levar a pessoa ao desenvolvimento de dons mediúnicos, podem ser encarados como uma bênção para praticantes mais avançados, com orientação ou que tenham dons mediúnicos já desenvolvidos, como a vidência a audição espiritual, o que lhes permite serem orientados por Guias Espirituais. De contrário, não é geralmente recomendável praticar esses exercícios sem orientação. Pode ser uma má experiência saber como se abrir uma porta para o invisível e depois não saber como fechá-la.

 

É o espiritismo kardecista a corrente espiritual que mais profundamente estudou e sabe lidar com os fenómenos obsessivos.

De facto, para muitas pessoas que sofrem de obsessão, o estudo da espiritualidade e o aprender a lidar com a obsessão pode ser a única escapatória possível para uma existência mais preenchida e feliz dentro do possível.

 

A obsessão em muitos casos arrasa literalmente com o amor-próprio e com qualquer sentimento de vaidade e orgulho.

É muitas vezes o próprio a encarar os seus erros do passado.

 

 

O que é a obsessão

 

Obsessão é aquilo que o Espiritismo designa como toda uma gama de interferências que um Espírito (encarnado ou desencarnado) exerce sobre outro, de forma negativa e em graus variados. Consiste na interferência negativa de uma vontade dominante sobre uma vontade subjugada.

 

A obsessão é muito comum entre pessoas encarnadas, como no caso de alguns casais em que um membro domina abusivamente o outro, anulando a sua vontade. Um faz tudo o que o outro quer, abdicando muitas vezes sem se aperceber da anulação da sua liberdade interior, do seu livre arbítrio. É como uma marioneta nas mãos da vontade dominadora.

Pois na verdade, é também possível a interferência de um Espírito desencarnado sobre um encarnado. É a chamada “obsessão espiritual”.

A obsessão espiritual de um Espírito desencarnado sobre uma pessoa visa quase sempre o prejuízo do Espírito encarnado.

Noutros casos, as intenções não são meramente malévolas. Tratam-se de um ou mais Espíritos desencarnados, apegados à matéria e aos vícios. Procuram usar a pessoa para alimentar os seus próprios vícios: comida, sexo, álcool, drogas, crime, consumismo (excesso de compras ou compras irracionais).

 

Noutros casos, por tendência para o Mal, por desespero e ignorância acerca da bondade do Criador, o Espírito obsessor procura por sugestão mental acentuar tendências negativas da pessoa encarnada, como a tendência para o crime, a vaidade, orgulho, presunção, sentimentos de superioridade ou inferioridade, depressão, medos, hipocrisia, tirania, etc., pois sabe que isso afasta o Ser Humano de Deus, deixando-o mais enfraquecido e vulnerável, além de poder vir a constituir causa de futuro sofrimento.

 

Muitas vezes procura levar os outros a cometerem os mesmos erros que eles próprios cometeram (ou piores), numa espécie de intenção do tipo tal como eu errei/sofri, também hás-de errar/sofrer.

Muitas vezes por remorsos, alimentam a ilusão de que quantos mais cometerem o mesmo erro do que eu, menos vergonha terei de mim mesmo.

 

Tal como entre os “vivos”, muitos Espíritos formam bandos de malfeitores. Muitos obsessores praticam ainda o Mal por andarem enganados por Espíritos mais inteligentes ou poderosos do que eles, ou ainda, por médiuns que utilizam as suas faculdades para o Mal, através por exemplo da prática da magia negra.

 

No entanto, as obsessões mais graves são geralmente realizadas por Espíritos que conheceram no passado a pessoa actualmente reencarnada. Tudo tentam para destruir a vida da pessoa, humilhá-la e levá-la ao desespero de tal forma que possa culminar no suicídio ou na loucura. Procuram vingar-se de traições do passado que sofreram (ou julgam que sofreram) por parte da pessoa que hoje é a vítima. No passado foi vítima, hoje é carrasco.

Em alguns casos foram pessoas assassinadas, exploradas, maltratadas, escravizadas, espezinhadas por quem hoje tentam prejudicar, ou que sofreram alguma espécie de traição.

 

Muitas pessoas, quando “morrem”, acordam do “lado de lá” com a liberdade espiritual natural e dão-se conta do Mal que foram vítimas. Devido à falta de desenvolvimento espiritual, deixam-se levar por sentimentos de ódio, revolta e vingança, tudo fazendo para prejudicar e levar à desgraça aqueles que eles julgam serem os culpados da sua ruína.

 

É claro que os obsessores com as suas atitudes atraem mais sofrimento para si. Se tivessem levado uma vida espiritualizada, se tivessem adquirido conhecimento sobre as leis da Vida e a Vontade de Deus, cujas leis “punem os culpados e elevam e compensam os prejudicados”, talvez não sujeitassem os seus irmãos de caminhada ao sofrimento que muitos conseguem causar, atraindo para o seu próprio futuro, numa futura reencarnação, mais desgraças e um avolumar de karma negativo, o qual lamentarão amargamente.

 

É o Homem que colhe o “céu” ou o “inferno” na sua consciência, consoante as decisões que toma e como gere os recursos que a Vida lhe dá.

Como a Humanidade ainda está tão longe da real e efectiva importância do “Perdão” apregoado pelos grandes mestres!

 

A obsessão é quase sempre causada por ignorância das leis espirituais, da dificuldade em perdoar, do desespero e ódio em que esses Espíritos se deixaram aprisionar.

Mas não se pense neles como “demónios” ou “seres mitológicos”, com “sete cabeças”, com chifres ou folclores do género.

Nada disso. Foram Seres Humanos como nós. Poderiam (ou podem) ter sido o nosso pai ou mãe, irmão ou irmã, tio ou tia, avô ou avó, melhor amigo ou amiga, desta ou de outra reencarnação.

São filhos de Deus como qualquer um, cuja loucura, ignorância ou agonia precisa de oração, e que os vivos peçam a Deus orientação e amparo para eles.

O espiritismo tem obras espantosas que esclarecem com exemplos concretos muito do sofrimento por que passam muitos desencarnados. Ver apêndice “Descrição de algumas Obras Espíritas”.

 

Se é vítima de obsessão, uma vez por semana ou por mês, ou quando “sentir vontade”, acenda uma vela branca e peça a Deus para que a luz dessa vela seja oferecida aos irmãos “que mais precisam”.

E se isso não for abusar da sua boa vontade, pode também queimar uma vela por todos os “Irmãos de Luz” que incansavelmente procuram ajudar esses filhos de Deus em sofrimento e tentam protegê-lo a si.

Deixe as velas arder até ao fim. Nunca saia de casa com um vela acesa a não ser num local irrepreensível, sem qualquer risco de incêndio.

 

Talvez o que vai ler a seguir não seja muito simpático para o seu amor-próprio. Mas saiba que é pouco provável que pelo menos uma vez, a seguir a desencarnar de uma vida anterior, não tenha sido um desses infelizes sofredores ou mesmo um obsessor, cuja paz e alguma felicidade encontrada tenha dependido de outros irmãos devotados à caridade que lhe “deram a mão”!

Quem é que lhe garante que já não tenha sido, em vida ou no estado espiritual, os déspota, um mentiroso, um instigador de assassinatos, um vicioso, alguém que influenciava outros irmãos ainda vivos para trair o seu cônjuge, etc.?

Quem é que lhe garante que nunca tenha sido um revoltado, um injustiçado cuja sede de vingança o tenha levado a praticar infâmias e todo o género de loucuras?

 

De facto, em abono da verdade, esta é uma das principais razões porque muitas pessoas, apesar de praticarem exercícios correctos, não conseguem recordar-se das suas anteriores reencarnações. Poderiam não estar preparadas e isso poderia trazer desequilíbrios inúteis e lamentáveis.

 

Ninguém pode dizer que é superior a quem quer que seja. Perante Deus somos todos iguais. Ninguém poderá dizer que da água da amargura e da dor jamais beberá.

Quando no futuro a Humanidade compreender que são as más influências espirituais, de ex-Seres Humanos que por falta de espiritualidade desenvolvida, de conhecimento, por revolta, desânimo, loucura devido a consciência pesada, os responsáveis pela maioria do Mal que existe no mundo embora muito por culpa dos vivos pois estes é que tomam as decisões exercendo o seu livre arbítrio, aí sim, o Homem dedicará uma boa parte da sua vida ao estudo da espiritualidade e conseguirá a paz colectiva.

Quando compreender que esses Espíritos não são nenhuns “monstros de filmes de terror”, que nada mais são do que nossos irmãos espirituais, que poderiam ter sido o nosso pai, mãe, melhor amigo ou amiga, etc., e que apenas uma oração sincera ou vela queimada os aliviaria de muito sofrimento e que por vezes tanta coisa resolveria, então o Homem provará por si mesmo quão importante é cultivar os valores da fraternidade, do amor, do perdão e da caridade.

 

O ódio e prejuízo que procuram causar na pessoa que obsequiam pode deixá-los numa situação ainda mais difícil. Mas muitas vezes não passa de um grito de desespero e um pedido de ajuda. Não é por acaso que os grandes mestres tanto falaram na importância do perdão assim como para rezar pelos nossos inimigos. Pode parecer inacreditável mas alguns obsessores vivem aprisionados no ódio durante séculos!

São factos como estes que levam certos mestres a afirmar que certos líderes religiosos do passado e do presente, cegos no seu orgulho e vaidade, mais preocupados com a defesa de certos interesses materiais do que com o progresso espiritual do Homem e com o cumprimento da Vontade de Deus, encontram-se muitíssimo longe de avaliar todo o prejuízo que causam à Humanidade por esconderem certas verdades e Luz do povo!

 

Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem. Lucas 23, 34

 

Uma pessoa espiritualmente iluminada significa muitas lágrimas enxugadas, muita dor aliviada, muito progresso proporcionado aos seus irmãos de caminhada.

Um obsessor, movido pelo ódio e pela revolta devido aos enganos e injustiças que foi vítima, significa em certos casos, muitas lágrimas derramadas, muita desgraça proporcionada, muitas vidas desfeitas, muito retrocesso, muita dor que deixa de ser aliviada…

Na maioria dos casos os obsessores foram pessoas que viveram na Terra afastadas dos valores espirituais, sem fé. Nalguns casos tinham crenças falsas acerca das leis da Vida, e/ou não foram instruídos espiritualmente ou tiveram uma educação espiritual deficiente ou mesmo errada. E as consequências estão à vista dos espiritualistas que lidam com estes casos. Mas não são apenas os espiritualistas que “sofrem” pela imensa miséria espiritual que rodeia o mundo dos vivos, pois estes sabem defender-se e ajudam os que sofrem e que procuram ajuda.

Os vivos, sejam ou não médiuns desenvolvidos, são directa ou indirectamente afectados pela IGNORÂNCIA espiritual dos desencarnados, que tantas vezes foi dito, ser a grande origem do Mal. Pois a verdade é que muito do Mal, erros e sofrimento dos vivos é causado por influências espirituais!

Deste modo, cercados como estamos de uma nuvem de testemunhas [Espíritos desencarnados], devemos sacudir todo o peso e pecado que nos rodeia [tentativas de Espíritos obsessores, revoltados, ignorantes ou assumidamente no Mal, que procuram desviar os “vivos” do “Bom caminho”] e correr com perseverança a carreira que nos é proposta. Heb 12, 1.

 

Exemplos disso? Existem muitos. É a dor que estranhamente “muda de local”, certos azares “inexplicáveis”, uma grande parte do nervosismo, ansiedade e pânico irracionais, uma grande parte das discussões entre casais por motivos ridículos, são as agressões físicas ou figuras menos felizes numa noite de copos onde depois a pessoa não se reconhece, é a violência doméstica psicológica ou física irracional, são uma grande parte das tentações de traição entre cônjuges e o desejo contínuo de “variação sexual”, muitos dos vícios, muita da vontade de praticar o Mal, muito do criticismo, vaidade, orgulho, presunção, ateísmo, descrença ou inversão dos valores espirituais, ideias de suicídio, a maioria dos suicídios, etc.

 

Voltamos a dizer que muito do Mal e sofrimento dos vivos seriam evitados se a prática da “limpeza espiritual” estivesse mais vulgarizada. Algumas pessoas que frequentam centros espirituais evitam a limpeza espiritual, sendo isso muitas vezes um sinal de obsessão. Os obsessores sabem que a limpeza espiritual os poderá afastar pelo menos durante algum tempo. Por isso influenciam a pessoa a evitar centros espirituais, pessoas que a poderiam esclarecer, e claro, as limpezas espirituais.

 

A pessoa que esteja a ser obsediada encontra muitas vezes um motivo para não procurar ajuda ou frequentar um centro espiritual. Desde “hoje estou muito cansado” até “fica para outro dia”, passando pela vontade de fazer uma arrumação justamente naquele dia e naquela hora, até um amigo que telefona a convidar para beber um café naquele dia, não faltam desculpas que os obsessores procuram inculcar na mente da pessoa e mesmo de terceiros, para a afastar de quem a possa ajudar, de lhe “abrir os olhos” e desmascarar os intentos perversos desses obsessores.

Cegos na sua ignorância e medo, os obsessores não compreendem muitas vezes que a espiritualidade também tem como missão estender-lhes a mão, esclarecê-los e ajudá-los a encontrar a paz.

Para terminar este ponto, acrescentamos que as influências espirituais explicam muitas das mudanças interiores radicais que muitas pessoas experimentam na meia-idade, na velhice, em caso de acidente ou doença. Sentem como se uma “capa” ou uma “venda” lhes fosse retirada da sua frente. Nessas alturas, parecem ver as coisas de forma mais racional e justa.

 

Uma das razões para que o tema da obsessão espiritual não seja mais estudado é que poucos têm coragem de enfrentar a vertente menos simpática da espiritualidade. Preferem ignorá-lo, evitá-lo.

Mas não foi a espiritualidade que inventou os obsessores nem o sofrimento. A espiritualidade é a cura, a vacina para as doenças da ignorância, da dor, do sofrimento.

E a Mediunidade é um instrumento de trabalho missionário para ajudar os que por falta de capacidade, oportunidade ou má vontade “tombaram” moralmente na batalha da vida terrena.

Muitos, incluindo alguns médiuns que se esquecem dos desencarnados que sofrem, estão esquecidos que já foram eles que em sofrimento buscavam ajuda. E infelizmente, muitos dos vivos actuais serão os próximos a enfileirar o grande número de Espíritos a precisar de ajuda por não terem estudado e praticado os valores espirituais como era sua obrigação.

 

 

Tipos de Obsessão

 

A obsessão pode adquirir inúmeras formas de manifestação e vários graus de gravidade. Os principais tipos são a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.

 

– A Obsessão Simples ocorre quando um Espírito ou vários influenciam a mente de um médium com suas ideias e vontade. Muitas vezes a pessoa percebe essa influência. A obsessão simples pode ser mais ou menos perturbadora, podendo causar constrangimento quando por exemplo, o médium inexperiente exprime de forma desavisada pensamentos que não são seus e somente se dá conta disso depois. No entanto, o médium permanece senhor de si mesmo e caso tenha algum conhecimento espiritual, reconhece quando fala ou age sob influência, sendo a ele possível, com estudo, aprender a controlar-se e a evitar essas influências.

O número de pessoas sujeitas a esta influência é muito maior do que se poderia supor à partida. De facto, quase todos os Seres Humanos estão sujeitos a esta influência e já o foram ou serão influenciados de forma flagrante algumas vezes. Como são situações praticamente imperceptíveis à maioria das pessoas, estas influências são tidas como normais, fruto da sua personalidade ou de um acaso, não desencadeando nenhum tipo de temor ou sensação de anomalia.

 

– A Fascinação é uma acção directa e constante do pensamento de um Espírito sobre a mente do médium paralisando-lhe o raciocínio e o sentido crítico, de tal modo que este aceita muito do que lhe é passado pelo Espírito como a mais pura verdade ou tendência pessoal, reproduzindo desde informações simples até a completos disparates ou más acções em casos mais graves. É um fenómeno de sintonia entre o médium e a entidade espiritual, que em certos casos é um Espírito inteligente e ardiloso pois consegue estabelecer uma sintonia com o médium de forma subtil, sem sobressaltos que poderiam alarmar o médium e este descobrir a armadilha que lhe está a ser criada. Com o tempo e devido a essa sintonia, caso a pessoa não recorra a ajuda nem faça algo para ultrapassar essa influência, vai aos poucos dominando a mente e o raciocínio do médium.

 

– A Subjugação ou Possessão é uma influência grave sobre a mente do médium. O obsessor dominou a mente do médium e faz sobressair a sua vontade. O médium transformou-se uma espécie de marioneta do Espírito ou dos Espíritos que o influenciam. Nalguns casos, o(s) obsessor(es) procura(m) levar a pessoa por caminhos de vícios, como álcool, drogas, jogo, crime, prostituição, traição do cônjuge, jogo ou consumismo exagerado que leva à ruína financeira e consequentemente ao desespero, algum tipo de obsessão exagerada como pela magreza, etc., que o degradam e enfraquecem com o tempo. Quanto mais fraca estiver a pessoa mais facilmente o Espírito ou Espíritos conseguem dominar a sua mente.

É também o caso de muitos mendigos e doentes psiquiátricos crónicos, que fazem “caretas”, dizem coisas absurdas, assumem posturas bizarras, etc.

Muitas vezes, exceptuando os casos em que existe algum compromisso neurológico ou psíquico, trata-se de pessoas que não foram ou não quiseram ser devidamente orientadas espiritual e psicologicamente.

Algumas pessoas confiaram “demasiado” nos tratamentos médicos e não era aí que estava a solução para o seu caso. Muitas deixaram-se arrastar por demasiado tempo apesar de todos os avisos que algumas pessoas mais próximas lhe endereçaram.

São geralmente casos muito graves e difíceis de serem solucionados, a não ser que atempadamente orientados. E isto claro, contando com a boa vontade do interessado em tratar-se. Muitas vezes, conseguir captar a motivação da pessoa para o tratamento é o maior obstáculo.

Acontece que absurdamente muitas pessoas “optam” por uma vida de doença e sofrimento (é isso mesmo que leu), pois não são capazes, por alguma razão, de “humildarem-se” o suficiente para estudar por exemplo a doutrina espírita que em alguns casos era a única garantia e passaporte para uma vida mentalmente saudável!

Só com estudo e desenvolvimento espiritual é que algumas pessoas obsediadas podem manter a esperança de virem a viver o seu dia-a-dia como cidadãos “normais”.

Enquanto persistirem na sua má vontade, preguiça, ócio, comodismo, na “falta de tempo para Deus” ou outro tipo de “desculpa”, dificilmente poderão aspirar a melhoras efectivas.

 

 

Sintomas de Obsessão

 

O diagnóstico seguro da obsessão poderá ser feita por um espiritualista competente, centro espírita ou outra corrente que saiba lidar com a Mediunidade.

Entretanto importa referir que não são raras as pessoas que pensam ser vítimas de obsessão (ou ainda de magia ou inveja), mas na realidade, elas é que se obsediam a elas próprias. É a chamada auto-obsessão.

Formas de estar na vida menos dignas, viver da mentira, complexos, traumas de infância não resolvidos, e viver em desarmonia com o seu Eu interior o que resulta em conflitos psíquicos, são geralmente causas de mal-estar que precisam mais de tratamento psicológico do que propriamente espiritual.

De facto, muitas pessoas sofrem por não enfrentar os seus “fantasmas” interiores. Fogem de si próprias, têm receio de enfrentar a verdade assim como a sabedoria e aspiração pelo progresso do seu Eu interior. Muitas foram mal ensinadas em termos morais pelos educadores e maus exemplos que viram ao longo da sua vida, e procuram todo o tipo de soluções menos colocar a hipótese de serem elas próprias as causadoras do seu mal-estar. Faz parte das leis da Vida, o que não vem pelo amor vem pela dor. Isso acontece muito com pessoas com quadros neuróticos mas não só.

 

De facto, todas as grandes religiões e Mestres Espirituais chamam a atenção para o perigo de certas condutas, das emoções, traços de personalidade e sentimentos negativos. Isto não é mera “conversa de catequese”. O Homem precisa de compreender definitivamente que a sua existência está sujeita a leis morais às quais não consegue escapar, e que “policiam” e “disciplinam” de alguma forma, desde a sua conduta ao seu próprio pensamento! E uma dessas leis é a “Lei da Causa e Efeito” ou “Lei do Karma”, que além de lei moral, é também uma lei física. O que o Homem faz, Bem ou Mal, volta a si, mais tarde ou mais cedo.

Alimentar ódio, rancor, inflexibilidade, inveja, egoísmo feroz, inacção, avareza e deixar de fazer o Bem quando estava ao seu alcance, além de afastar o Ser Humano de Deus deixando-o mais vulnerável, pode dar origem a doenças tão graves como o cancro, loucura, diabetes, doenças reumáticas, etc. A própria ciência médica já vai reconhecendo estas verdades apregoadas à milhares de anos pela espiritualidade. Veja-se expressões como “doença dos ricos”, “doença causada pela amargura ou pelo desgosto”, “doença causada pela falta de doçura na sua vida”, “faleceu porque perdeu o desejo de viver”, “morreu porque perdeu a alegria de viver”, e outras do género.

 

De qualquer forma, as terapias espirituais muito têm a oferecer a estas pessoas.

 

Muitos dos Sintomas de Obsessão são Semelhantes aos Sintomas de Mediunidade Desperta

Muitas pessoas não têm a Mediunidade desenvolvida e no entanto são vítimas de obsessão.

Mas quando a Mediunidade está desperta, a obsessão pode adquirir contornos mais graves. Isso é fácil de compreender ao levar em linha de conta que uma pessoa com a Mediunidade desperta pode ser mais facilmente influenciada. É diferente alguém “chamar nomes” a um surdo ou a uma pessoa que ouve bem.

Muitos dos sintomas estão relacionados com o típico caso do que se chama Mediunidade “não controlada”. No entanto, a gravidade da obsessão é muito variável. Em casos mais graves a pessoa perde o controlo da situação, deixa de ser “dona da sua vida”, relevando por exemplo negativismo e outros traços de personalidade irracionais, discursos ou comportamentos bizarros, etc. Nestes casos, e quase sempre sem a pessoa se aperceber, ela própria está a agravar ainda mais a sua situação. Pessoas com determinados traços de personalidade ou certas personalidades fortes são por vezes muito difíceis de serem chamadas à atenção para o facto de estarem a percorrer um caminho em direcção ao abismo.

 

Aproveitamos também para alertar para o facto de muitas pessoas estarem a ser vítimas de obsessão sem darem por isso. Em alguns casos deixam-se arrastar durante muito tempo e quando procuram ajuda, fazem-no quando a sua situação já é grave. Muitas vezes os sintomas passam despercebidos a familiares, amigos, colegas de trabalho, de estudo ou outros. O receio de não ser compreendido ou de ser rejeitado, leva muitas pessoas a esconderem os sintomas até ao ponto em que perdem o controlo da situação. Nestes casos é muito frequente recorrer a uma urgência psiquiátrica.

 

Nalguns casos o indivíduo começa a recorrer ao consumo de álcool e drogas. O facto do consumo de álcool e de algumas drogas serem toleradas em alguns meios sociais e mesmo familiares, leva a que a família e amigos não reparem que algo de “anormal” se passa com aquela pessoa, mesmo que os abusos de consumo se comecem a tornar frequentes. Em inúmeros casos, a família apenas identifica determinados sinais de alarme quando a perturbação teve início há já algum tempo, como por exemplo, quando começa a notar episódios recorrentes de embriagues e/ou consumo excessivo de drogas, alterações comportamentais graves e irracionais, alterações do humor e de personalidade anormais para o indivíduo.

 

Importa ainda sublinhar que muitos fenómenos obsessivos nada mais são que um chamamento da Vida para a pessoa assumir a sua espiritualidade. É a Vida que reclama pelo cumprimento de compromissos assumidos. Em muitos casos, os sintomas desaparecem ou diminuem significativamente quando a pessoa assume a sua espiritualidade.

Eis alguns exemplos de sinais de alarme:

 

  • O indivíduo admitir que ouve ou vê algo que “não é real”
  • Sensação constante de estar a ser vigiado
  • Assumir posturas estranhas ou bizarras, tiques estranhos
  • Falta de vitalidade inexplicável
  • Dificuldades em conciliar o sono, insónias e apneia do sono sem motivo aparente
  • Apresentar um modo peculiar ou incompreensível de falar ou de escrever
  • Obsessões mentais. A pessoa queixa-se que não é capaz de deixar de pensar em coisas más. Vida mental demasiado ocupada por temáticas relacionadas com sexo, crime, jogo, vícios, ideias depreciativas, suicídio, perfeccionismo, etc.
  • Actos compulsivos: comportamentos que a pessoa não é capaz de deixar de os realizar apesar da irracionalidade dos mesmos, e por vezes contra a sua vontade. Por exemplo, algumas pessoas verificam dezenas de vezes se fecharam bem a porta da rua, outras lavam constantemente as mãos até danificarem a pele, outros realizam rituais bizarros de arrumação ou higiene, etc.
  • Alteração repentina do rendimento escolar ou profissional sem motivo aparente
  • Isolamento social, de família e amigos
  • Deixar de realizar actividades que antes lhe davam prazer ou de se encontrar com pessoas com quem antes gostava de estar
  • Revelar preocupações e interesse exagerado por temáticas relacionadas com a morte e assuntos religiosos
  • Assumir atitudes de indiferença afectiva perante situações graves
  • Ter momentos de ausência, em que a pessoa “não parece estar neste mundo”
  • Começar a descuidar nos cuidados de higiene e aparência (por exemplo, deixar de tomar banho)
  • Mostrar alterações de personalidade e mudanças de humor sem aparente justificação. Por exemplo, dar respostas irracionais, ter ataques de fúria ou de medo perante os entes queridos
  • Dificuldade ou impossibilidade de se concentrar, de estudar ou de ler um livro
  • Deixar de comer ou comer exageradamente
  • Apresentar-se a pessoas de convívio comum incluindo familiares e amigos com aparência medrosa, assustadiça, com tremores de mãos, voz trémula
  • Consumo excessivo e continuado de álcool ou drogas
  • História continuada de actos delinquentes ou acto delinquente grave
  • Sintomas psicossomáticos: dores inexplicáveis, sensações de tontura, de “cinta à volta da cabeça”, etc.
  • “Azares” inexplicáveis, nada parece correr bem na vida

 

 

Exemplos de Outros Diagnósticos Psiquiátricos que Podem ser Sinónimo de Despertar Mediúnico e/ou Obsessão

 

Como facilmente se constata ao verificar a lista de sintomas de possível obsessão, que geralmente revelam também Mediunidade desperta, muitos outros diagnósticos psiquiátricos são feitos quando na realidade a pessoa está a passar por uma perturbação espiritual. Eis alguns exemplos:

-Depressão grave ou crónica sem motivo aparente, ou, quando existe um motivo, a gravidade ou continuidade dos sintomas não pode ser justificado por esse motivo

– Ansiedade, ataques de pânico, nervosismo exagerado e injustificado

– Doenças psicossomáticas

– Perturbação bipolar

– Perturbações do comportamento como tendências suicidas, comportamento criminoso, alterações da conduta sexual incluindo alguns casos de homossexualidade, falta de interesse ou interesse excessivo por sexo, isolamento social, etc.

– Dependências (álcool, drogas, etc.)

– Perturbações neuróticas, perturbação obsessivo-compulsiva

– Perturbações da identidade e somatoformes

– Algumas fobias e medos irracionais como medo de sair à rua, de ficar sozinho, etc.

– Perturbações da personalidade, personalidade múltipla

– Perturbações alimentares como anorexia, bulimia, compulsão para comer excessivamente

 

 

Um caso de Obsessão grave

 

  1. era uma jovem estudante com rendimento escolar considerado normal. Quando tinha 17 anos morre-lhe a avó materna à qual era muito chegada. M. sente muito a morte da avó. Começa a isolar-se no quarto. Passado algum tempo recusa-se a ir à escola permanecendo durante o dia deitada. Após esgotada a tolerância inicial da família, M. é obrigada a ser consultada por um psiquiatra que lhe receita alguns medicamentos. No entanto, M. não melhora. Recusa alimentar-se, só toma medicação quando vigiada, e a partir de determinada altura começa e ter comportamentos agressivos para com os familiares. Esta situação dura há seis meses e M. parece perder a pouco e pouco o contacto com a realidade. Permanece durante horas com o olhar fixo no vazio, como se não estivesse neste mundo. Estes períodos de “ausência” são por vezes interrompidos com choros e gritos de ódio e palavrões. Quando isso acontece M. atira ao chão tudo o que está ao seu alcance. Várias vezes atirou objectos a familiares pondo em perigo a sua integridade física.

Foi internada compulsivamente várias vezes e o seu caso parece não ter retorno.

 

Este é um caso de obsessão muito grave a que se dá o nome de subjugação ou possessão, e que deu origem a vários filmes de cinema como “O Exorcista” e outros do género.

A subjugação, como já vimos, é um estado grave de obsessão em que o Espírito obsessor e a pessoa obsediada tornam-se como se fossem um só em termos psíquicos, por um fenómeno de sintonia mental e sugestão hipnótica do Espírito obsessor que se identifica com a vítima, geralmente devido a laços criados no passado. Este facto faz com que a pessoa não se dê conta que esteja a ser influenciada, muitas vezes a caminho da sua autodestruição.

É felizmente um caso raro actualmente mas existente. A subjugação espiritual é o fenómeno que está por detrás da desgraça de pessoas como alguns mendigos, prostitutas e criminosos assumidamente no crime. De salientar que não são raros os casos de pessoas muito inteligentes e até mesmo com estudos universitários que caíram nestas situações de vida. O desconhecimento ou mesmo a negação das questões espirituais ditou a sua desgraça. Em muitos casos poderia ser evitado o agravar da situação com o acompanhamento espiritual atempado.

 

O facto da pessoa deixar de se alimentar e de se isolar é uma estratégia muito utilizada por obsessores para enfraquecer a pessoa e mais facilmente a dominar. No caso de M. a tristeza causada pela morte da avó foi aproveitada pelo obsessor como uma boa desculpa, tendo com isso conseguido induzir M. a entregar-se a uma tristeza e depressão irracionais. Foi uma cilada bem montada. A tristeza, os sentimentos e pensamentos negativos destroem a vitalidade e enfraquecem.

Quando as coisas chegam a este ponto, é geralmente aconselhável os tratamentos médicos complementarem os tratamentos espirituais.

 

Como Compreender a Obsessão

 

No mundo espiritual não se encontram apenas Espíritos prontos a ajudar os Seres Humanos como Anjos, Espíritos Protectores, Guias Espirituais ou antepassados. Também existem aqueles que procuram prejudicar os que se encontram encarnados.

É falsa a ideia de que existem demónios eternamente devotados ao Mal, que procuram influenciar o Homem para o Mal e assim assegurar a sua “condenação eterna”. Não existe nem o “Diabo”, nem “demónios” eternamente devotados ao Mal, pois isso seria negar a Lei obrigatória do progresso e a bondade de Deus que quer os seus filhos felizes.

Ninguém está eternamente no Mal. Mais tarde ou mais cedo, por esclarecimento, cansaço ou por já não aguentarem o sofrimento, todos retornam ao caminho do Bem.

Os obsessores são Espíritos que se encontram no Mal. Foram homens e mulheres que por algum motivo ou motivos enveredaram pela prática do Mal. Tal como entre seres encarnados existem pessoas que se preocupam em praticar o Bem e outros o Mal, também entre os Espíritos desencarnados se encontra os que apresentam tendência para o Bem ou para o Mal.

 

“Morrer” não faz de ninguém Santo, Anjo ou “demónio”. Assim como se era em vida se poderá ser após a morte do corpo. Consoante a pessoa fazia o Bem ou o Mal na terra, existe certa tendência para continuar a praticar o Mal ou o Bem depois de desencarnado, a não ser que o Espírito se deixe encaminhar pelos Guias de Luz pois o respeito pelo livre arbítrio mantêm-se depois de desencarnar, pelo menos até certos limites.

Muitos encontram no facto de serem invisíveis à maioria das pessoas, assim como no aproveitamento das falsas superstições e no facto de muitas pessoas não acreditarem em influencias espirituais, excelentes motivos adicionais para praticarem o Mal livremente, sem temerem a justiça dos homens a que estavam sujeitos enquanto reencarnados, ou seja, serem presos, julgados e condenados por algum crime. No entanto, nunca conseguirão fugir do julgamento da sua própria consciência e das leis naturais de Deus.

É muito importante compreender que os obsessores actuam por sugestão mental, regra geral, por sugestão positiva. Isto é, procuram inculcar na mente da pessoa pensamentos do tipo “fazer isto ou aquilo” ou “dizer isto ou aquilo”. Se a tendência da pessoa é ingerir bebidas alcoólicas, é isso que irá ser estimulado. Se a tendência é a inveja ou a crítica social, é isso que irá ser sugestionado e assim sucessivamente.

Eles procuram as falhas morais, a ausência de alguma virtude ainda não suficientemente desenvolvida, e exploram essas fraquezas humanas.

 

Esta é uma das principais razões porque certas correntes espirituais como o espiritismo tanto apregoarem até à exaustão (até chatear por vezes!) a importância de evitar todos os vícios e a pessoa esforçar-se por cultivar as virtudes espirituais.

Sabe-se de escolas espirituais do passado (e algumas do presente) que jamais ensinavam técnicas avançadas a pessoas com vícios.

É claro que isso é em certa medida fanatismo. Perfeito só Deus. As pessoas devem evitar os vícios mas nem sempre isso lhes é possível. Fumar ou beber álcool com moderação não faz de ninguém um pecador. Muitas vezes prejudicam mais a intolerância de certas pessoas “mais perfeitas”.

Essas pessoas precisam compreender que todos procuram o melhor para si. E há pessoas que simplesmente não conseguem deixar de fumar ou beber. Outras encaram esses momentos como uma distracção que lhes é agradável e não querem abdicar desses momentos de prazer. Outras ainda, fazem-no em momentos de convívio social. Algumas fazem-no para aliviar a tensão em que se encontram no dia-a-dia.

 

Beber álcool, fumar e muitos outros vícios não fazem de ninguém, obrigatoriamente, um obsediado. Os excessos são no entanto um mau indicador.

Jesus Cristo, segunda a Bíblia, bebia vinho, embora provavelmente, apenas em ocasiões especiais.

Ironia do destino ou talvez não, muitos dos médiuns mais poderosos e sábios com quem o autor tem travado conhecimento foram ou são pessoas com vícios. O mesmo é válido para alguns dos mundialmente famosos médiuns.

 

De facto, o fanatismo e a intolerância de certos espiritualistas em relação a pessoas que comem carne e têm vícios não são aceitáveis. Têm-se visto algumas pessoas fazem figuras muito tristes devido à sua intolerância. Julgam por vezes que isso as faz superior mas esse é o primeiro sinal de como não o são. Bastaria analisar os seus pensamentos durante um único dia, e em muitos casos durante um minuto, para concluir que afinal elas não são assim tão perfeitas. É fácil para quem nunca fumou dizer aos outros para deixar de fumar. Mas em certas circunstâncias, pode ser desagradável e de muito mau tom dizer a alguém para deixar de fumar. A pessoa já sabe que não devia fumar. E se calhar até sofre com isso.

 

Apesar de se insistir bastante nos vícios, inclusivamente por razões que não abordamos neste trabalho, aproveitamos para sublinhar a letras de fogo que devem ser evitados o fanatismo, a discriminação e a intolerância.

 

Se fuma ou bebe por exemplo, se for possível, tome um bom banho antes de iniciar as suas práticas espirituais ou ir a uma reunião espiritual. Quanto à bebida, sem dúvida que é de evitar beber álcool no dia que se faz alguma prática espiritual ou reunião mediúnica. Além de intoxicar o organismo, diminui as suas vibrações pessoais e pode dificultar a sintonia com Guias de Luz. Entretanto, que os vícios jamais lhe sirvam de estorvo para procurar ajuda ou lutar pelo seu desenvolvimento e felicidade espirituais. Lute, estude, trabalhe e a vitória será uma questão de tempo.

 

É infinitamente mais importante alguém alimentar sentimentos de tolerância, fraternidade, solidariedade, do “pensar, desejar e praticar o Bem” quando aparece a oportunidade (que não raramente é uma provação da Vida), do que propriamente ter o seu “viciozinho”. Se não os tiver ou conseguir deixá-los, tanto melhor desde que não os troque por outros piores!

Ao fim ao cabo, todos procuram dar o seu melhor e perfeito só Deus. Não é aquilo que entra pela boca que torna o Homem impuro: Mas o que sai da boca é que torna o Homem impuro. Mt 15, 11

 

Vejamos agora um exemplo quanto ao fenómeno das sintonias espirituais. Imagine que não gosta de objectos usados. Simplesmente eles não lhe dizem nada. Acha até ridículo que algumas pessoas façam colecção de objectos usados.

Se encontrar um vendedor de rua que se ofereça para lhe vender um objecto usado, é quase certo que não lhe prestará atenção. É algo que “não tem a haver consigo”. Espiritualmente, se um Espírito lhe sugerir mentalmente comprar um objecto usado (a ideia simplesmente aparece na mente), da mesma forma, é pouco provável que assuma esse pensamento como seu e compre o tal objecto. Neste caso é difícil a sintonia de intenções/gostos que podem predispor à acção, da mesma forma que o óleo e a água não se misturam.

 

Imagine agora que gosta de gelados. Se passar por um local onde se vende gelados, e um Espírito obsessor ou simplesmente viciado em gelados lhe sugerir mentalmente que coma um gelado, uma vez que gosta de gelados é provável que use o seu livre arbítrio e decida consumir o tal gelado.

É claro que isto não significa que cada vez que lhe apetece um gelado esteja a ser influenciado espiritualmente. A questão é que se gosta de gelados, a probabilidade de ser influenciado é maior. Assim acontece com todas as outras tendências da pessoa, sejam elas as boas ou as más, consoante o Espírito é do Bem ou do Mal. Os de Bem inspiram e exaltam as boas qualidades. Os Espíritos do Mal procuram excitar as más qualidades e imperfeições de quem querem prejudicar, ou aproveitar para se divertir, ou ainda, para satisfazer certos vícios. No final, a pessoa é que decide.

 

É exactamente isto que se passa com todo o género de sintonias e influências espirituais. Os Espíritos, geralmente, pouco ou nada de mal podem fazer. Mas podem sugerir pensamentos. E quanto mais sensibilidade mediúnica a pessoa tiver, dependendo dos temas de pensamento com os quais se sintoniza, mais facilmente pode ser influenciada de acordo com essas tendências. Quantas vezes se ouve alguém dizer, “Não sei o que deu na cabeça para comer ou fazer…”

No final, tenha ou não a Mediunidade desenvolvida, é a pessoa que decide através do seu livre arbítrio. Portanto, somos sempre responsáveis por tudo o que fazemos.

 

É interessante notar que este fenómeno universal da influência espiritual é descrito em todas as culturas e em todo o mundo. Por exemplo no Ocidente, existe a ideia da existência de um “Anjo que nos aconselha o Bem e de um demónio que nos tenta desviar do bom caminho”. E a expressão “tenta” está muito correcta, pois ele nada pode geralmente. Apenas pode sugerir ATRAVÉS DO PENSAMENTO. Mas é a pessoa que decidirá consoante os seus interesses de vida, personalidade, gostos, etc.

Os Espíritos invejosos têm tendência a ligarem-se a pessoas invejosas, os que praticam determinados vícios têm tendência a atrair Espíritos viciados naquele tipo de vício, pessoas vaidosas tendem a atrair Espíritos que gostam de incentivar a vaidade, pessoas demasiado humoradas e levianas Espíritos que se gostam de divertir às custas da pessoa, e assim por diante. Noutros casos o crime, a licenciosidade, a traição, a “esperteza”, etc.

 

Imagine agora alguém que por algum motivo quer prejudicar a vida de outra pessoa (e de preferência, até por que não é parvo, sem ser preso!). Pois essa pessoa vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para prejudicar a outra pessoa, desde críticas, a procurar denegrir a imagem da outra pessoa, etc. E ai se é chefe ou tem algum tipo de poder sobre a outra pessoa! Como se divertirá! Tudo fará para transformar a vida da outra pessoa num inferno.

Agora imagine como se pode “divertir” um Espírito obsessor, sem medo da polícia, sem medo de ser preso, e ainda e principalmente, aproveitando a falta de preparação de uma pessoa ignorante ou inexperiente espiritualmente!

É verdade que o seu campo de acção é muito limitado e fica-se quase sempre pela mera influência de pensamento, pois eles não têm corpo, não têm braços para prejudicar ninguém.

Mas atenção, será uma grande ilusão pensar que pouco Mal acontece devido à sua influência porque não têm corpo físico! A falta de desenvolvimento espiritual e de valores espirituais, a falta de conhecimento de questões relacionadas com a Mediunidade e fenómenos obsessivos, e a influência desses Espíritos inferiores, sofredores ou mal intencionados, é o que justamente está a ajudar a destruir a Humanidade!!!

 

Eles pouco Mal podem fazer comparado com os “vivos”, mas podem SUGERIR O MAL ATRAVÉS DO PENSAMENTO. Por isso é que Jesus Cristo falava no “Orai e Vigiai”. “Orai” para manter a mente ocupada com coisas positivas, elevadas, procurando manter a sintonia com o Alto, com “o Pai”, e ficar mais imune e ser menos influenciável às tentações do Mal. “Vigiai” diz respeito à actividade mental, à qualidade dos pensamentos, pois como se sabe, é a partir do pensamento, a partir daquilo que as pessoas pensam que tomam as suas boas ou más decisões.

As imperfeições humanas são exploradas pelo Espíritos no Mal, e os vivos, através do seu livre arbítrio, tomam muitas vezes decisões no seu dia-a-dia levados por essas más influências que os afasta dos valores espirituais salutares, do progresso espiritual, da boa moralidade, e consequentemente, da sua felicidade futura!

Muitos “vivos”, que vivem como se não existissem Espíritos nem influências espirituais, são muitas vezes autênticas marionetas nas “mãos” de certos obsessores pois são “invigilantes” da sua mente. As ideias “andam no ar” e eles simplesmente aderem a elas, não se importando muitas vezes de questionar se são boas ou más.

 

Não é por acaso que em muitas culturas existe um clima quase de terror em relação aos “maus Espíritos”. E em algumas linhagens espirituais, tudo é feito para afastar os Espíritos em sofrimento e os obsessores ao jeito de “ao tiro e ao pontapé”. O ultrapassado e bárbaro exorcismo da Igreja Católica também vai por esta linha ao utilizar expressões como “sai Espírito imundo” e atrocidades do género.

Ora isso é muito lamentável e denota falta de conhecimento e sentimentos anti-fraternais. É evidente que isso é feito por ignorância mas hoje existe muita informação para não cair nestes absurdos. Mas a verdade é que continuam a ser praticados!

Para compreender isto melhor, vejamos um exemplo. Faz algum sentido chamar “Espírito imundo” ou dizer frases de algumas orações de desobsessão/exorcismo como “vai para o fundo do abismo”, a um Espírito que foi um familiar querido, como mãe, pai ou filho, que por vezes a única coisa que quer é pedir uma vela, uma oração ou o pagamento de uma promessa para subir para a “Luz”?!!!

 

É preciso pois abandonar essas práticas bárbaras e irracionais. A informação disponibilizada pelo espiritismo ensina a lidar com os Espíritos em sofrimento e obsessores da forma como Deus quer: pelo diálogo, pelo esclarecimento, pelo amor e pela oração.

É por isso que são tão importantes os grupos de doutrinação pois são grandes manifestações de caridade e serviço. E quando isso não for possível por falta de médiuns capazes, é sempre possível recorrer à oração e ao pedido de ajuda para os que precisam. Isso é um acto de caridade agradável a Deus.

É preciso compreender que são Espíritos ignorantes e alguns deles não tiveram acesso a uma educação espiritual salutar, da mesma forma que uma boa parte da Humanidade também é muito ignorante quanto às Leis de Deus.

 

O Ser Humano tem um Espírito que é filho da Verdade, da Luz, da alegria de existir. Quem chegar à conclusão que tem demasiados pensamentos negativos, que tem um vida mental algo “doentia”, deve colocar a hipótese de estar a ser vítima de obsessão.

 

Mas não se assuste pois ele ou eles nada podem a não ser que deixe. Ore, estude, desenvolva o seu conhecimento, procure levar uma vida moralmente irrepreensível e dificilmente mal algum lhe acontecerá. Sintonize-se com Deus, algum Santo, com planos elevados de acordo com o conhecimento que possui. A questão principal aqui é a sintonia. E Mediunidade é SINTONIA. E obsessão também é sintonia.

Se está a ser vítima de obsessão, salvo as excepções, é por que através de algum estilo de vida, vício físico ou mental se SINTONIZA com esse Espírito inferior ou em sofrimento. Também pode tratar-se de uma ligação kármica (um Espírito conhecido noutra existência).

 

Não lhes leve a mal nem os odeie. São seus irmãos e provavelmente, alguns deles em grande sofrimento senão já teriam dado ouvidos aos Irmãos de Luz e estariam “confortavelmente” na “Casa do Pai”, ou na “Luz”, como também é conhecido o local de onde partimos e onde deveremos regressar após mais um “período lectivo na Terra”.

 

Um exercício de protecção que ajuda muitas pessoas consiste em praticar assiduamente a sintonia com Deus, planos elevados, Santos, Mestres Espirituais. Consoante o seu gosto, procure uma imagem como fonte de inspiração. Algumas imagens de Santos, de Jesus Cristo, Buda, entre outras, retratam o estado de sintonia com Deus.

 

Outro exercício consiste em fixar durante alguns segundos a imagem de um Santo e de seguida segurá-la entre as mãos. Fechar os olhos e procurar sentir a sua presença e protecção. Pode em seguida fazer um pedido ou uma promessa.

Já agora fique a saber que um dos objectivos que terá de alcançar é viver o mais continuamente possível em sintonia com Deus ou pelo menos, com planos elevados. É claro que isso existe prática e perseverança. Mas com o tempo os resultados são francamente compensadores.

 

Um ponto importantíssimo para quem desenvolve a Mediunidade é ter em atenção que, por muito longe que consiga chegar, nunca se esquecer dos que sofrem, que talvez não tenham tido a oportunidade que está a ter de adquirir conhecimento.

Por muito “perfeito” que consiga ser, lembre-se de vez em quando de ajudar os que por falta de oportunidade, incapacidade ou má vontade, não tenham conseguido evoluir. Ore para Deus ajudar aqueles que mais precisam.

Só com caridade espiritual é possível “limpar” o plano espiritual mais próximo da Terra, que está repleto de irmãos espirituais que se encontram em situação lamentável, e que por leis naturais influenciam negativamente os vivos.

 

Muitos riram-se em vida da religião, da espiritualidade, das verdades do Espírito. Alguns pagam agora o preço da sua má vontade. Mas a nós não nos cabe o julgamento, só ajudar, pois “Fora da Caridade não há Salvação”. Ninguém ao cimo da Terra ou mesmo do “Mundo Espiritual” nos pode garantir que já não tenhamos estado no estado de sofrimento em que muitos eles se encontram, ou, que não poderemos, no futuro, vir a estar…

 

Importa saber ao médium que uma vida de rectidão, esforçando-se continuamente por melhorar, evitar vícios, comportamentos, pensamentos e palavras lamentáveis, e estudar os mecanismos da Vida e da existência humana, são os melhores antídotos para ficar imune a influências negativas e a fenómenos obsessivos. E o mesmo é válido para todas as pessoas que não tenham a Mediunidade desperta.

Em inúmeros casos, encontram-se Espíritos que vivem amargurados com os erros que cometeram enquanto vivos. Outros ainda não compreenderam que desencarnaram. Outros ainda, por deficiente ou inexistente educação espiritual, permanecem aterrorizados com a ideia de condenação ao “fogo do inferno”. Muitos por desespero enveredam pelo caminho do Mal numa lógica de “perdido por cem, perdido por mil”, contribuindo dessa forma para futuros maiores sofrimentos.

 

Com um pouco de estudo compreende-se o enorme alcance do perdoar e rezar pelos nossos inimigos ensinado por Jesus Cristo por exemplo.

São por vezes irmãos que precisam de ajuda e conforto espiritual para quebrarem as cadeias de ódio em que se deixaram envolver, e que precisam de esclarecimento para deixarem o plano terreno e continuarem a sua evolução.

Em muitos casos, é inconcebível o sofrimento em que muitos se encontram, quando a sua própria consciência os faz encarar os seus erros e o sentimento de uma oportunidade desperdiçada…

Ajudemo-los pois, porque com isso estamos também a fazer amizades espirituais que um dia, quando formos nós a precisar, serão eles a estender a mão para nos ajudar.

 

Esta é a grande beleza do valor da Caridade: hoje ajuda-se, amanhã é-se ajudado.

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Índice do Livro Esquizofrenia

Prefácio

Introdução

I. COMO TUDO PODE COMEÇAR

II. A ESQUIZOFRENIA SEGUNDO A PERSPECTIVA MÉDICA

III. A PERSPECTIVA ESPIRITUAL DA ESQUIZOFRENIA

IV. UMA GRANDE PARTE DOS ESQUIZOFRÉNICOS NÃO SÃO DOENTES MENTAIS MAS SIM MÉDIUNS DESPERTOS

V- MEDIUNIDADE: DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA

VI. A ORIGEM E OBJECTIVO DAS RELIGIÕES E A POSSIBILIDADE DE INTERACÇÃO E COMUNICAÇÃO COM O MUNDO ESPIRITUAL

VII. COMO POSSO SABER SE TENHO A MEDIUNIDADE DESPERTA

VIII. SOU MÉDIUM. E AGORA?

IX. O ESPIRITISMO

X. CUIDADO COM OS FALSOS PROFETAS

XI. O QUE SE PODE ESPERAR DE UM CENTRO ESPIRITUAL

XII. PORQUE ALGUNS MÉDIUNS SOFREM MAIS DO QUE OUTROS DURANTE O DESPERTAR MEDIÚNICO

XIII. A OBSESSÃO

XIV. COMO LIDAR COM A OBSESSÃO E COM A MEDIUNIDADE EM GERAL

XV. DISCUSSÃO SOBRE ALGUNS MITOS E DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE MEDIUNIDADE E DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL

Posfácio

APÊNDICES
Descrição de algumas obras espíritas

Contactos úteis

BIBLIOGRAFIA

 

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